
A partir de 1501, o rio São Francisco se tornou o principal canal de ligação do litoral do Brasil com seu interior. Porém, o seu desenho natural de 2.700 quilômetros, da Serra da Canastra até a pancada do mar, veio algumas dezenas de anos depois. Tanto para os índios quanto para alguns dos colonizadores, o São Francisco nascia a apenas cerca de 300 quilômetros do mar. Isso porque se pensava que o mundo acabava ali nas majestosas, imponentes e indescritíveis cachoeiras de Paulo Afonso.
Theodoro Sampaio, na sua passagem pelas cachoeiras, imortalizou a frase que mais próxima chegou da fidelidade com [... leia o post]
Postado às 21:12 de 23.12.09 |
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A palavra “cantinho” pode trazer infinitos significados. Lugarzinho pequeno, aconchegante; beirada, lugarzinho tranqüilo. E em alguns casos, é usada para definir o lugar predileto das pessoas: “esse é meu cantinho preferido”.
Se os 2.700 quilômetros do rio São Francisco têm um “cantinho”, sem dúvida, esse lugarzinho gostoso, aconchegante, tranqüilo e de beirada é Piranhas, cidade de Alagoas. O mais lindo e colorido pedaço de margem de todo o Velho Chico.
Este cantinho é tão pequeno que mal dá conta de segurar tanta história que já presenciou. E foi assim, por não conseguir guardar segredo, que Piranhas deu com a língua nos [... leia o post]
Postado às 14:11 de 16.11.09 |
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O dia que Aladim não realizou desejos
As escunas lotadas de turistas brancos, lambuzados de protetor solar, parte do cais de Piaçabuçu duas, três vezes por semana. Ligam o forró brega e iniciam a descida até a foz do rio São Francisco.
O guia faz a explicação sobre a última ilha do Velho Chico, a Ilha da Criminosa, como alguns moradores da região a batizaram. Assim a chamam porque eram nos seus galhos que ficavam presos os corpos de pessoas assassinadas e lançadas nas águas do São Francisco.
E a diversão é garantida quando as escunas, lambuzadas de turistas brancos protegidos do sol, [... leia o post]
Postado às 22:10 de 26.10.09 |
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O guerreiro da Paciência
João Francisco dos Santos nasceu guerreiro no distrito de Ipiranga, município de Igreja Nova, Alagoas. Aos nove meses de idade, sua mãe o largou e sumiu no mundo. “E de lá para cá, “fui crescendo. Quando peguei meu entendimento de gente, sai pelo mundo”, conta o varredor de rua, concursado pela Prefeitura de Piaçabuçu.
E foi logo aos 9 anos de idade que sumiu no mundo e se transformou em Ferreti. Apelido que ganhou pela semelhança com um antigo jogador do CSA, time de futebol de Alagoas.
Na verdade, não quis sumir e sim, encontrar o umbigo do mundo. [... leia o post]
Postado às 16:10 de 09.10.09 |
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O poeta que não sabia nadar
Francisco Araújo Filho, desde criança, desenvolveu mais a habilidade com as mãos do que a correria com os pés. Seja jogando futebol de botão e escrevendo poemas ou deixando de jogar futebol de rua e não podendo se divertir no barro das chuvas.
Garoto tímido, filho de mãe severa e pai amante dos livros, Francisco nasceu numa cidade carregadíssima de significados e conquista: Penedo.
Esse pedaço de terra que pariu nosso Francisco viveu momentos decisivos da história brasileira. Foi em 1560 que os portugueses pararam por lá pela primeira vez, na perseguição aos índios caetés, acusados de [... leia o post]
Postado às 18:09 de 29.09.09 |
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Propriá, onde o sonho acabou
Às vezes, o desenvolvimento acaba com as coisas…
A frase solta no ar talvez seja a reposta para uma pergunta que não sai da filosofia de Francisco Fotógrafo: qual a semelhança entre a câmera digital e o asfalto?
Francisco mora em Propriá, uma bela cidade sergipana, às margens de um bailarino, e mais belo ainda, rio São Francisco. O casario antigo – machucado e descascado –, com detalhes na fachada e portas e janelas altas, é marca registrada de uma cidade que cresceu em função do comércio, movido pelas águas do Velho Chico.
Até a década de 50, Propriá [... leia o post]

23 personagens, compromissos assumidos e um parachoque
Chegou ao fim a primeira etapa de pesquisa em campo de Os Chicos. Foram 25 dias no trecho entre Petrolina/PE e a foz do rio, entre Alagoas e Sergipe. Foram cerca de 9.000 fotos, 1.800 minutos de entrevistas, 1.500 quilômetros percorridos, algumas léguas navegadas, 19 municípios visitados, quilos de documentos recolhidos, um parachoque quebrado e o mais emocionante: 23 personagens garimpados em um universo disperso e gigantesco que nomeamos “cultura oral do São Francisco”.
Foram agricultores, pescadores, presidiários, músicos, poetas, bandidos, sonhadores, funcionários públicos, mestres, artistas, canoeiros, fotógrafos, caciques, guias turísticos, ou seja, Franciscos e [... leia o post]